Eu tinha deixado tudo isso de lado. Talvez por respeito. Eu gosto muito da Luiza. Mas agora ta tudo diferente.
Já me perguntaram como eu consigo viver e sentir coisas paralelas. Como eu pude namorar e manter isso ao mesmo tempo e escondido. Ainda está escondido, boa parte.
Eu não tenho culpa. Eu só sinto. Meu pai diz que é químico. E é mesmo. Ele desperta algo em mim de um jeito que ninguém mais faz. É mágico. É químico. Químico.
Dois hidrogênios com um oxigênio sempre vai resultar em água. E só isso resulta em água. A reação que ele produz, só ele produz. O que eu posso fazer?
Enquanto eu namorei, eu procurei não procurá-lo. E principalmente enquanto ele namorou, eu evitei isso o máximo possível.
Mas eis que ele volta. E volta falando. Volta com voz. Começa, aos poucos, deixar de ser tão irreal.
Minhas expectativas continuam sem dar um número inteiro. Por precaução.

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