quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dudektria

- Trouxe um pacote de Halls, to com um na boca. Tem um último no pacote, queria dar pra ti.

- Traz. Eu vou guardar o papelzinho.

- O que tu achas que aconteceria com a gente? Não ia dar em nada?

- Não. Com a gente seria forte. Mas eu não sei no que daria.

- Por quê?

- 700.

- É mais, né?

- Se não for 900. Mais uma mãe.

- Entendi.

- O que você acha?

- Sinceramente, talvez não seja nada especial. Agora que tu me falou que não, eu me assustei. A gente é muito amigo, já pensou nisso? Meu melhor amigo do colégio me abandonou na sétima série.

- Por que tu se assustou?

- Porque eu não quero que isso aconteça com a gente.

- Justo.

- Eu faço essas brincadeiras, mas nunca me caiu a ficha... Tu é muito especial pra mim. Eu vou parar de brincar assim.

- Não vejo porquê.

- Você tava me seduzindo.

- Eu tava?

- Claro que tava!

- Você pode até parar de brincar, mas isso existe, de fato. Você vai estar só fingindo que não.

- O que existe?

- Não tem nome.

- A gente tem alguma coisa, né? Eu sabia.

- Ah... Eu não preciso falar.

- Precisa sim.

- Talvez eu não queira. Não era pra você descobrir.

- Quando você começou a sentir isso?

- Oficialmente? Terça-feira, 28 de julho de 2009.

- O que aconteceu esse dia?

- Eu não sei explicar, parece sem cabimento.

- Você acabou de se declarar pra mim.

- Eu sei.

- Como eu consegui tirar isso de ti?

- Aconteceu.

- Você já queria dizer, então.

- Na verdade, eu tenho algo pra te mostrar.

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- Agora tu sabe de tudo.

- Tens isso há muito tempo!!

- Sim..

- Conseguiu me fazer sorrir por pelo menos dez minutos. Sem parar.

- Não pensei que eu fosse te mostrar isso tão cedo.

- Tava esperando completar dois anos?

- Tava esperando te seduzir o suficiente.

- Eu simplesmente não sei o que dizer.

- O quanto disso é recíproco?

- Boa parte.

- Eu sentia que sim, mas jurava que não.

- Parece que tu saiu de um livro. Eu realmente gostaria de estar contigo agora. Mas eu decidi que eu não sou de ninguém e nem vou ser por um bom tempo.

- Nem se você quisesse teria como. É melhor assim, então.

- Eu não vou mentir pra ti...

- Eu não tô esperando algo. A diferença é que agora tu já sabe. Acabou todo o mistério.

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- Eu vou te decepcionar. Vai virar mais dois textos e eu vou perder uma amiga.

- Por que me decepcionar?

- Porque tu não vais negar. E eu não vou querer mais do que isso.

- Eu acho que você não entende o que eu sinto por você. Não é fácil de entender mesmo.

- É..

- Eu gosto mesmo de você. Eu gosto faz tempo, não vai acabar de uma hora pra outra. Não precisa ter medo de me decepcionar. Eu sei que você não quer casar e pretende viajar pra Romênia ou qualquer outro lugar muito longe daqui.

- Até hoje só teve uma garota que me fez acreditar que se algemar valesse a pena, e não deu certo. Mesmo que também não desse certo, talvez você fosse a segunda, se estivesse mais perto.

- Mas eu não estou, então eu nem penso sobre.

- De qualquer forma, quando você estiver, e isso vai acontecer em algum momento, esteja preparada. E eu to falando sério. Porque tu vais ser minha.

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